Os pecados da minha meninice
- Quem foi que comeu todo o açúcar que tinha guardado aqui? – pergunta minha mãe Eduarda, a quem eu chamava Djodjô, contrariamente à minha irmã, a Branca, que lhe chamava mamã -, enquanto, com ar sério, aponta para a caneca de litro vazia. - Eu não, mamã! – responde, rapidamente, minha irmãzinha, com firmeza. - Eu também, não, Djodjo! – respondo eu, procurando parecer convincente. - Olhem que é feio e é pecado mentir, além de que constitui outro pecado apossar-nos de coisa que não é nossa! Isso é furtar, é pecado! Deus e o diabo - o conforto de que Ele é que vence! A esta palavra, que me fazia pensar num Deus descontente, a contrastar com um Diabo que esfregava as mãos de contente face à expectativa de encontrar companhia no fogo do Inferno, para onde ia condenado quem vivesse e morresse em pecado, eu não tive outro remédio senão confessar, procurando não chorar antes do tempo: - Fui eu, Djodjô! Desculpa-me! - Bem, desta vez passa, mas não volta a acontecer, certo? Anuí...